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Ecoansiedade

“É o fim dos tempos?” O que a ecoansiedade tem a nos dizer

Por Rafael Ribas · 13 de outubro de 2026 · 4 min de leitura

“É o fim dos tempos.” Em filmes e livros, essa frase costuma sair da boca de personagens que estão alucinando ou são extremistas. Ela ficou tão associada a exageros que muita gente evita dizê-la em voz alta.

Só que, com as mudanças climáticas e o aquecimento global, essa preocupação aparece cada vez mais na cabeça de pessoas comuns. Se você já sentiu um aperto ao ver notícias sobre o clima, ou se perguntou “será que ainda dá tempo?”, saiba que não está sozinho. Existe até um nome para isso: ecoansiedade.

Uma preocupação real

A ecoansiedade é a angústia diante da crise ambiental e de suas consequências. Ela não é frescura nem exagero, e também não é sinal de que a pessoa “enlouqueceu”. É uma reação compreensível a um problema real, que a gente acompanha todos os dias nas notícias e, cada vez mais, na própria vida.

O risco aparece quando essa preocupação cresce e nos leva a pensar que não tem mais o que possa ser feito ou que não adianta mais tentar mudar o nosso ambiente. Aí a angústia vira paralisia, e a paralisia só aumenta a sensação de impotência.

O que essa preocupação revela

Aqui está uma virada de perspectiva: assim como outras preocupações, a ecoansiedade também pode nos lembrar daquilo que é importante para a gente.

Ninguém se angustia com o que não importa. Se o futuro do planeta tira o seu sono, é porque você se importa com a natureza, com as pessoas que ama e com o mundo que vai ficar para quem vem depois. Por isso vale perguntar:

  • O que existe de importante nessa minha preocupação?
  • O que eu estou tentando proteger?

Essas perguntas não eliminam a angústia, mas ajudam a enxergar o cuidado que existe por trás dela.

Aproximar, cuidar, agir

Quando a gente identifica o que importa, fica mais fácil pensar em ações, mesmo que pequenas, que nos aproximem disso. Algumas direções possíveis:

  • Aproximar-se da natureza que você gosta. Uma caminhada em um parque, uma tarde em uma praça arborizada, um fim de semana em contato com o verde.
  • Trazer a natureza para perto de quem você ama. Convidar alguém para essa caminhada, plantar junto, compartilhar o que você valoriza.
  • Cuidar do espaço onde você vive. Dentro de casa, isso pode ser uma planta, uma horta de temperos na janela ou até uma foto de um lugar que te faz bem.

Nada disso resolve a crise climática sozinho, e não precisa resolver. A ideia é sair do lugar de quem só observa o problema com medo e passar a ocupar o lugar de quem cuida.

Aproveitar o que a gente ainda tem

A pergunta que o vídeo propõe não é “como eu controlo as mudanças climáticas?”, porque ninguém controla sozinho. A pergunta é: que ações eu posso fazer para aproveitar e cuidar do mundo que a gente ainda tem?

Esse mundo ainda tem florestas, rios, cheiro de terra molhada, plantas, bichos e gente que a gente ama. Cuidar disso, no tamanho que cabe na sua vida, é uma forma concreta de transformar angústia em sentido.

Para fechar

Sentir ecoansiedade não significa que há algo errado com você. Significa que você se importa. O que muda a experiência é o que a gente faz com essa preocupação: deixar que ela nos paralise ou usá-la como bússola para o que merece nosso cuidado.

E se a angústia estiver pesada demais, a ponto de atrapalhar o sono, a concentração ou o dia a dia, procurar um psicólogo ou psicóloga é um passo importante. Falar sobre isso também é uma forma de cuidado.

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui avaliação ou acompanhamento psicológico individual.
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